O
desprezo ao dogma é uma doutrina contemporânea. A Igreja, dizem alguns, deve pensar menos e agir mais. Deve baixar a guarda da ortodoxia (doutrina correta) e vivenciar com afinco a ortopraxia (prática correta). Deve deixar de pensar Deus e maximizar o Reino. Você já ouviu tudo isso? Sim, não há nenhuma novidade aí. Crítica válida, mas incompleta. Perceba que não estou falando do anti-intelectualismo provinciano do evangelicalismo pentecostal. Falo de um modismo e paradoxo moderno: o cristianismo relativista.
O erro básico dessa crítica ao dogma é separar a complexa unidade entre ideia e vivência. Será possível dividir essas duas realidades com precisão cirúrgica? O pensamento e a ação estão como o sentido diretivo entre esquerda e direita, ou seja, sempre em oposição, mas igualmente em união. Não há posição à esquerda sem um ponto à direita e vice-versa. Assim temos os "opostos dependentes".
Com isso não quero dizer que a hipocrisia seja uma fantasia. Ela é mais real do que imaginamos em nós mesmos. Só quero dizer que vivemos em função daquilo que cremos, mas não necessariamente daquilo que dizemos crer. O papel aceita tudo, assim como o palavreado. O pensar e o agir são ações intercambiáveis e indivisíveis. Se eu creio eu vivo. Se eu não vivo é porque não creio, mesmo dizendo que sou adepto daquela crença.
Nesse sentido, a teologia é inegavelmente importante. Mas não qualquer teologia. Não é a teologia moderna embriagada pelo primeiro modismo ideológico que surge no Velho Continente. Não é aquela teologia semelhante aos atenienses debatedores com o apóstolo Paulo que “não cuidavam de outra coisa senão falar ou ouvir as últimas novidades” [Atos 17.21]. Quero dizer sobre a teologia que nos leva a fé em Cristo Jesus.
Experimente fazer uma exegese profunda de determinado texto bíblico. Abra o coração para que a mensagem seja uma crença viva em seu coração. O crer verdadeiro levará consequentemente para a ação espontânea. Você verá Deus com outros olhos e isso não o deixará indiferente. Sim, é por isso que precisamos de teologia. Necessitamos de uma teologia viva que nos faça ainda mais empolgados com o Evangelho. A teologia que nos leva a crença da alma, mas não para o cemitério abandonado, frio e escuro do iluminismo teológico.
Por Gutierres Fernandes Siqueira
http://www.teologiapentecostal.com

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